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Avatar de Luiz Dalfior

Tenho esse quadrinho e não li. A lágrima escorreu aqui.

Comprei ele 3 meses depois que Camila nasceu.

Avatar de Heider Carlos

Quando eu li sua resenha pela primeira vez eu ainda não era pai, mas minha companheira já estava grávida. Comprei Balões de Pensamento 2 e quis comprar várias obras, sendo a que mais me interessou Rosalie Lightning. Por fim, não comprei nenhuma: pensei que seria mais sensato não gastar dinheiro "à toa" por enquanto. Os gastos com a gravidez e com a futura criança não permitiam "luxos".

Lembro de ler o texto e pensar que a Rosalie seria minha filha, o que torcia o meu peito como se ele fosse um pano velho e apodrecido. Meu Vizinho Totoro é meu filme favorito, um posto que ocupa desde que o assisti pela primeira vez quase vinte anos atrás. Foi o único filme que me fez chorar de felicidade - naquela cena do final em que encontram a Mei e saem viajando e deixam o milho do lado da janela da mãe delas no hospital. Eu quase nunca choro com filmes, mas assisti os créditos sem conseguir enxergar a tela direito de tantas lágrimas, e lembro de pensar que a música de encerramento era a coisa mais delicada do mundo.

Eu já tinha pensando na minha filha e em Meu Vizinho Totoro. Caso gostasse, eu não a deixaria assistir o filme infinitas vezes. Para mim, o melhor jeito de fazer ela amar o filme é fazendo ela amar o que o filme ama: a natureza, a vida simples, a própria infância. Que assistiríamos Meu Vizinho Totoro um dia, casualmente, mas que eu a levaria o máximo que conseguisse para a roça da minha tia, para subir serras e conhecer cachoeiras e ver a beleza que se esconde à plena vista. É o meu catar bolotas, cada um tem o seu. Ela ainda não assistiu ao filme, mas gosta muito de sentar debaixo de árvores e brincar de rasgar folhas.

Já que não havia visto as imagens do quadrinho, meu choque com sua newsletter foi grande. A Rosalie é, realmente, minha filha. Loirinha e atarracada (eu a chamo de Batatinha), com um cabelo na altura do ombro e a barriguinha frequentemente de fora das blusinhas. Se eu mostrasse a imagem dela para alguém e falasse que era um desenho da minha filha, ninguém duvidaria.

Elas são parecidas até a nível fotográfico. Vou colocar um link de uma foto da minha filha aqui. Apagarei depois já que, infelizmente, a internet não é um lugar seguro para crianças - talvez nem para adultos.

https://drive.google.com/file/d/1KPi10vWOhcl8XZ4UBH1l45j9rPqElb6X/view?usp=sharing

A similaridade da minha filha é uma das respostas para a validade da crítica. A Rosalie já era minha filha antes da minha filha nascer, e continua sendo depois que minha filha nasceu. Continuaria sendo minha filha se minha filha fosse um filho, se fosse de outra etnia ou odiasse Meu Vizinho Totoro. Continuaria sendo se eu não tivesse filha. A Rosalie e minha filha se distinguem em algo muito importante, crucial, mas que não me impede de sentir parte da dor dos pais. Eu sinto pois Rosalie é Ana Teresa e eu sou Hart e eu sou Corman e eles são, também, meus pais. A crítica é uma criação tanto quanto a tradução, e como na tradução a criação e a subjetividade afloram no caminho pelo qual a obra (texto de partida) chega ao leitor (texto de chegada) através da crítica (tradução). Assim como você escolhe suas palavras e faz dos textos que traduzem seus, na crítica você escolhe suas palavras e faz do quadrinho que eu leio seu, também. Eu vou comprar Rosalie e o lerei com meus olhos mas o lerei também, em parte, com seus olhos. Tanto com seus olhos de crítico quanto com seus olhos de tradutor.

Muito obrigado por sempre me lembrar que quadrinhos valem a pena.

Abração.

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