111: SÉ LEST
sigur rós no royal albert hall | tomorrow stories | sorteio | meu curso na labpub | meus trabalhos saindo ou por sair | minha semana | páginas viradas | fim
Interrompemos a programação normal para falar de música. Um assunto do qual eu entendo tanto quanto entendo de futebol.
O caso é que, na semana passada, o arrebatamento chegou. Os escolhidos foram levados para encontrar o criador nos ares. E a nós - eu, que não estava lá, nem você, se também não estava lá - só resta continuar na sarjeta do mundano.
Mas nós, na lama, ainda temos o YouTube.
É o que eu entendi de comentários como:
Eu nunca vou esquecer essa noite. Sou muito grata por ter feito parte disso. Uma das experiências mais lindas da minha vida.
Ou:
De uma beleza assoberbante. Estar lá foi ser transportado aos céus para voar com as estrelas e dançar no eterno.
Ou:
Eu estava lá… não tenho palavras…
Todos os comentários estão nesse vídeo:
Sigur Rós, a banda islandesa, tocou quatro noites no Royal Albert Hall, em Londres: 30 de setembro, 1, 2 e 3 de outubro. De terça a sexta-feira. No fim de semana, os vídeos e os comentários brotaram nas minhas TLs.
É que o algoritmo sabe que eu toco pelo menos uma música do Sigur Rós por dia. Geralmente não é só uma. Desde antes de existir algoritmo.
No Instagram: Eu estava lá, fechei os olhos e, francamente, a sensação foi de subir aos céus.
Da NME, no X: Absolutamente celestial.
Da Rolling Stone: Esplendor inigualável.
De alguém no YouTube: Já assisti muitos shows da banda e esse superou tudo o que eles já fizeram… Fico muito feliz de ter ouvido eles tocaram Ára Bátur! Chorei a música inteira.
Também no YouTube, de alguém comentando uma semana depois: Eu estava lá. Ainda estou tremendo.
Lembrei que a primeira vez que ouvi falar de Sigur Rós foi assistindo à banda, pela TV, no Free Jazz Festival em que eles antecediam o Belle & Sebastian. A internet me confirma que foi em 2001. Eu estava indignado com os esquisitos tocando guitarra com arco de violino só para atrasar o show da minha Belle & Sebastian.
A chave virou em algum momento. Não demorou. Acho que meu telencéfalo se desenvolveu. Comprei Ágætis byrjun, o segundo álbum. Ouvi muito.
Tentei converter amigos. Diziam que eram sons de gente com uma diarreia muito doída. Ainda dizem. Não estão totalmente errados, parece mesmo. Mas é islandês. Ou uma coisa que parece islandês.
Aí veio Takk, o álbum de 2005, aquele que fez Sigur Rós virar trilha sonora de propaganda de banco. Nossa, faz vinte anos. A Marcela - que não ouve tanto quanto eu, mas ouve - gosta de dizer onde estava e que horas eram na primeira vez que ouviu “Glósoli”. Eu não lembro exatamente onde e quando, mas os pelos dos meus braços levantaram quando eu ouvi. Ainda hoje, se eu escuto com atenção (fones, absolutamente nada na mente, quem sabe assistindo o clipe), os pelinhos levantam de novo.
Assisti à banda na minha frente, em São Paulo, em 2017. Foi… foi só um show. Não tinha orquestra, nem coro de meninos, nem órgão de 9.999 tubos. Era uma banda robótica, cumprindo um gig. Só lembro que saí com uma apreciação diferente de “Festival” - a música tem 9h25 na versão de álbum, e teve entre 9h25 e 48h67 no show.
Foi um show ruim no fim de um ano, pra mim, péssimo. Combinamos que fracassamos nós dois, eu e o Sigur Rós, e não tocamos mais nesse assunto.
Um dos motivos para Sigur Rós fazer o que faz comigo é que eu não entendo o que eles cantam. Às vezes eles cantam de fato em islandês, aquela língua que tem tantos falantes quanto a minha cidade inteira (400 mil pessoas, segundo estimativa). Às vezes eles cantam em vonlenska, ou hopelandic, um idioma que a própria banda inventou. Talvez não dê para chamar de idioma - parecem palavras, dizem que parece islandês, mas às vezes é só barulho. Ou “Jónsi (o vocalista) usando sua voz como um instrumento”, segundo uma definição.
Também não entendo o que eles tocam. Eu já falei: não entendo de música. O entendido e a entendida de música vão identificar as influências clássicas, ou o caldo - Mogwai, Godspeed You! Black Emperor, Explosions in the Sky - de onde a banda saiu ali na virada do século. Se você entende, não me explique.
Sigur Rós é Mogwai com uma gota de fluoxetina. Tá bom assim.
Se você nunca escutou a banda, tudo o que eu escrevo aqui deve soar mega pedante. Poxa, as letras são, tipo, “Og það varst þú sem aldrei dæmdir”. Fique com a definição dos amigos: sons de uma diarreia dolorosa.
Mas escute. Uma vez.
Os vídeos do Royal Albert Hall sugerem que (1) quando você tosse no Royal Albert Hall, todo o Royal Albert Hall escuta; e (2), se (1) é válido, o bumbo ressoou pelas tripas de cada pessoa que estava lá.
Foi a primeira vez que a banda tocou “Ára bátur” ao vivo. “Sigur Rós tocando ‘Ára Bátur’ com orquestra, órgão e um coral infantil no Royal Albert Hall é uma das coisas mais lindas que eu já vivenciei”, disse alguém no X. No vídeo de uma das performances de Ára bátur, um comentário registra que a gravação “não captou a ALTURA [caps do original] do crescendo”. Só consigo imaginar que, de olhos fechados, é como um bando de golfinhos te abraçando e te dizendo, em golfinhês, que ainda existe esperança.
O coral de meninos, castrados especialmente para o show, colabora.
No vídeo de “Varðeldur”, alguém comenta em francês: “A música já é uma obra-prima, mas o que se passa a partir dos 8 minutos e 25 segundos está desconectado do tempo e da crítica, um momento mágico em suspenso, para sempre na eternidade. Obrigado, Sigur Rós.”
Também achei esse texto de um certo Jean-Phillipe Chard, que resolveu contar em francês e inglês tudo o que sentiu no show da quarta-feira. Começa dizendo que “ler os comentários de quem acabou de sair de um show do Sigur Rós é como assistir à terapia em grupo das almas perdidas”. Também que as músicas da banda são “lugares onde você pode chorar sem um terapeuta ou sem que um app de mindfulness te explique por quê”. E: “esses islandeses entendem que todo mundo carrega um inverno dentro de si, e às vezes você tem que deixar a neve cair.”
Nesse vídeo de um dos shows, completo, recomendo muito ouvir “Von”, de 23:20 até uns 30:00
Mas o trecho em que eu dei play um número inconfessável de vezes essa semana - a Marcela veio me perguntar se eu estava bem - é o de “Sé Lest”, a última música desse vídeo.
“Sé Lest”, além de uma cápsula de todas as músicas do Sigur Rós, lembra uma vida. Tem aquele pianinho de brinquedo desde o começo - é uma celesta, e li em algum lugar que eles pegaram o instrumento emprestado da vizinha, a Björk -, depois a música cresce conforme a gente cresce e conhece o mundo, se esborracha no chão e tenta se levantar com a lembrança desse pianinho da infância. Aí começa a fanfarra. E o pianinho se despede. Os violinos são nossos últimos suspiros.
No vídeo do Albert Hall, quarta-feira passada, os violinos param de repente, o condutor da orquestra deixa os braços caírem e fica estático.
Em outro vídeo de “Sé Lest”, no canal oficial da banda, tem um encore da bandinha responsável pela fanfarra. Uma bandinha de baile do interior Islândia, tocando sem muita afinação, as roupas muito grandes ou muito curtas em todos os integrantes. Parece que eles acabaram de se levantar do chão e, daquele jeito, do jeito que dá, dizem: apesar de tudo, faremos música.
É nesse vídeo que alguém deixa a frase perfeita sobre Sé Lest:
“Um dia nós vamos encontrar os aliens e esse vai ser o hino da Terra.”
Vou começar uma sessão nova na virapágina. Porque esta semana recebi meu exemplar de TOMORROW STORIES: CONTOS DO AMANHÃ, de Alan Moore e companhia - espero que você também tenha recebido o seu - e quero contar como foi essa tradução.
A tradução mais maluca do ano, como chamei várias vezes neste espaço. A tradução em que eu tive que usar tudo o que aprendi em quinze anos de tradutor (incluindo um doutorado) e e em que eu aprendi mais umas coisas que não sabia. A tradução que me fez reler, me inspirar e republicar a carta de Alan Moore aos tradutores:
É uma antologia com histórias de seis personagens criados especificamente para a revista por Alan Moore e um colaborador por atração. Greyshirt, com Rick Veitch; Juca Q. Ligero: Inventor Mirim, com Kevin Nowlan; Teia de Seda, com Melinda Gebbie; Filho da América & U.S. Anja, com Jim Baikie; e Splash Brannigan, com Hilary Barta. Teve uma penca de coloristas, mais cinco editores e, no original, todas as letras e criações tipográficas ficaram com o multipremiado Todd Klein.
São 47 histórias, quase todas de oito páginas. Não vou comentar cada uma, mas quero comentar várias. Meu plano é falar de uma a cada edição da virapágina.
Começando pela primeira de todas: Juca Q. Ligero, Inventor Mirim, em “Estrela Municipal”.
E já vamos tirar a Vaca Mimosa do meio da sala: sim, o tradutor teve a audácia de traduzir o nome do personagem! O original “Jack B. Quick” virou “Juca Q. Ligero”.
Não é o único personagem de TOMORROW STORIES cujo nome foi aportugesado.
Traduzir nome de personagens não é uma coisa que eu costumo fazer, ainda mais quando é (quase) um nome próprio. Mas tenho justificativa, digamos, por causa do holístico da coisa: Tomorrow Stories é, na maior parte, uma obra de comédia. Um dos recursos de humor que Moore usa no texto está nos nomes próprios, que têm que suscitar o grotesco, a bobeira e, principalmente, o ridículo na cabeça de quem lê. No caso das histórias rurais do Juca Q. Ligero, os nomes originais têm referentes da roça dos EUA. Para chegar no mesmo efeito em quem lê em português, eles tinham que ganhar caipirice.
Descolar o cômico dos nomes do cômico das tramas seria uma perda na tradução. Daí, “Jack B. Quick” virou “Juca Q. Ligero”, apelido de Juscelino Quintino Ligero (originalmente Jonathan Beauregard Quick). Que tem a vaca Mimosa (Bessie). Que mora em Riacho da Aguatorta (Queerwater Creek), cujo prefeito chama-se Zebedeu Zancanaro (Stukely Stuyvesant).
Tem mais nomes aportuguesados nas próximas histórias do Juca.
“Juca Q. Ligero” não surgiu só da sonoridade. O original é inspirado na quadrinha do século 19: “Jack be nimble / Jack be quick / Jack jump over / The candlestick.”
Que podia ser “Juca é esperto / Juca é ligeiro / Juca, de um salto, / Pula o candeeiro”.
Pensei no nome “Juca É. Ligeiro”. Mas não achei nenhum sobrenome caipira bom pro “É”. Ébenezer, quem sabe? Não soa legal. Por isso fui de “Q.”, que virou “Quintino”. (Em seis histórias, o personagem é chamado pelo nome completo só uma vez.) Cortei um “i” de Ligeiro para ficar um sobrenome com cara de italiano: Ligero.
Juca Q. Ligero!
Juca é meu personagem preferido desde que eu li TOMORROW STORIES pela primeira vez, há vinte e tantos anos. Na primeira história, ele inventa um mini-sol porque a vaca do sítio fica louca quando cai a noite. Ele avisa a mãe: “Achei uma falha na teoria da relatividade de Einstein e acho que dá pra salvar a Mimosa.” Ele provoca o Big Bang, planetoides começam a se formar em torno do novo mini-sol e a rotação dos planetoides afeta a vidinha tranquila de Riacho da Aguatorta. Spoiler: acaba em um buraco negro.
Já falei que tudo isso acontece em oito páginas? E que é genial?
Também temos cometas chamados “Didi”, “Dedé”, “Mussu” e “Zacar” - “Shemp”, “Curly”, “Moe” e “Larry” no original.
Tradução nunca vem de uma pessoa só e não vou esquecer de destacar o trabalho moorestruoso e toddkleinístico do Daniel de Rosa nas letras, do Arthur Marchetto como assistente editorial e do editor Fabiano Denardin, que confia em mim pra empreitadas que nem essa há quinze anos.
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Outubro é mês das crianças (e de cabelo maluco, mochila maluca, fantasia maluca, pais malucos…), então temos um sorteio infantil da parceria entre a editora Todavia e a virapágina. Que também é uma parceria com a Baião, a divisão de livros para todas as infâncias da Todavia.
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Você já é assinante da virapágina? Muito obrigado. Então você já está concorrendo!*
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Quem é assinante do plano mensal (R$ 16/mês) está concorrendo ao próximo sorteio se é assinante há mais de três meses. Se você assinar o plano mensal hoje, começa a concorrer aos sorteios de janeiro.
Porque, na parceria virapágina/Todavia/Baião, tem sorteio todo mês! Nesta parceria, já sorteamos RASL, A VINGANÇA DAS BIBLIOTECAS, a coleção de DEMENTIA 21, MONSTROS de Barry Windsor-Smith, a dupla CONFINADA/OS SANTOS e, inclusive, outros três volumes de O PRIMEIRO GATO NO ESPAÇO.
Lembrando e resumindo: se você assinar o plano anual da virapágina até dia 16/10, você concorre ao sorteio dos três volumes de O PRIMEIRO GATO NO ESPAÇO. O resultado sai na edição de 17/10!
Estão abertas as inscrições para minha nova turma do CURSO PRÁTICO DE TRADUÇÃO DE HISTÓRIAS EM QUADRINHOS - INGLÊS-PORTUGUÊS na LabPub.
Acho que é a quarta turma, mas posso ter me enganado. Quinta? Eu me perdi.
É 100% online. Começa em 21 de outubro, em menos de duas semanas. São 10 aulas, sempre nas noites de terça e quinta-feira. E muita prática de tradução entre uma aula e outra. Mão na massa, como meus outros cursos.
Os links abaixo são de trabalhos meus que foram lançados há pouco tempo ou que serão lançados em breve. Comprar pelos links da Amazon me rende uns caraminguás. Se puder, use os links.
As datas podem mudar a qualquer momento e eu não tenho nada a ver com isso.
recentes e relevantes
BIFE DE UNICÓRNIO: SÓ O FILÉ, Gabriel Dantas, comix zone (editei)
HAPPY ENDINGS, Lucie Bryon, risco (traduzi)
GUERRA EM GAZA, Joe Sacco, quadrinhos na cia. (traduzi)
RASL, Jeff Smith, todavia (traduzi)
O COLECIONADOR, de Djeison Hoerlle, Dieferson Trindade e Juliano Dalbem, hipotética (prefaciei)
WILL EISNER: UMA BIOGRAFIA EM QUADRINHOS, Stephen Weiner e Dan Mazur, go!!! comics (traduzi)
em outubro
EIGHTBALL COMPLETO, Dan Clowes, darkside (traduzi)
HOJE É UM BELO DIA PARA MATAR, Patrick Horvath, darkside (traduzi)
TOMORROW STORIES: CONTOS DO AMANHÃ, Alan Moore, Kevin Nowlan, Rick Veitch, Jim Baikie, Melinda Gebbie, Hilary Barta, Dame Darcy, Joyce Chin, panini (traduzi)
O GRANDE LIVRO DO REI ARTUR, John Matthews, harpercollins (traduzi)
Duas traduções que também apareceram aqui em casa, bonitas e capadurescas, esta semana. Ainda vou comentá-las.
EIGHTBALL COMPLETO [amazon]
HOJE É UM BELO DIA PARA MATAR [amazon]
em novembro
CONAN, O BÁRBARO 10, Jim Zub e Doug Braithwaite, panini (traduzi)
O INESCRITO - EDIÇÃO DE LUXO - LIVRO 1, Mike Carey, Peter Gross e companhia, panini (traduzi os extras)
em dezembro
ZDM: EDIÇÃO DE LUXO VOL. 4, Brian Wood, Riccardo Burchielli e vários, panini (traduzi, republicação, extras inéditos)
ainda este ano (anunciados pelas editoras)
GIBI S.A., Shawna Kidman, veneta (traduzi)
TOTEM, Laura Pérez, nversos (traduzi)
LIMBO, Deb JJ Lee, nversos (traduzi)
ENTREQUADROS, Gabriela Güllich, comix zone (editei)
KUNO, Jonathan Crenovich e Federico di Pila, poptopia (traduzi)
em 2026
CRUMB: A CARTOONIST’S LIFE, Dan Nadel, todavia
FEEDING GHOSTS (a vencedora do Pulitzer!), Tessa Hulls, quadrinhos na cia.
O PRIMEIRO GATO NO ESPAÇO E A VINGANÇA DO BEBÊ PIRATA, Mac Barnett e Shawn Harris, todavia
vem aí
HOW TO e WHAT IF 2, Randall Munroe, companhia das letras
KRAZY & IGNATZ VOL. 2: 1919-1921, George Herriman, skript
mais BONE de Jeff Smith (e amigos), todavia
ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS e ATRAVÉS DO ESPELHO, Lewis Carroll
+ Adrian Tomine, Shaun Tan, Will Eisner, Zidrou, Eva Illouz, Agatha Christie, Craig Thompson
+ Gato Pete, Lore Olympus, Conan, Kull, Lobo, Stranger Things, Patrulha do Destino
etc. etc. etc.
Todas as minhas traduções: ericoassis.com.br
PROJETO SHANG está entregue. Levou 55 dias.
PROJETO ST. HILARION’S está entregue. Levou 17 dias.
Mais um volume de LORE OLYMPUS está entregue. Levou 25 dias.
Estou trabalhando em uma tradução só: o PROJETO AÇAMBARCADORES.
Dá um tiquinho de desespero ter um projeto só. Mas também tenho que fazer uma revisão das aulas para a LabPub que começam daqui a doze dias. E, quem sabe, vencer minha inbox, que está pedindo socorro.
Esta semana recebi um e-mail dirigido à “equipe do Érico Assis”. Foi muito engraçado.
Na terça-feira, participei de um bate-papo sobre memórias de colecionador de gibi. Compartilhei as poucas que eu consegui acessar de muito, muito tempo atrás:
No Lançamentos da Semana do 2Quadrinhos, falamos de Tom King, da Bilquis Evely sendo reconhecida na França e de um quadrinho do Marc-Antoine Mathieu que você tem que ler com lupa (o gibi vem com a lupa)…
E no 2QNews teve a edição esgotada de Absolute Batman no Brasil, cross-overs Marvel/DC e a restauração delicada e dedicada de VIZUNGA:
Essa semana não pareceu tão curta. Acho que foi culpa do Sigur Rós. Eles criam tempo. Eles têm esse poder.
If there’s anything One Battle After Another wants us to take away from its reflection of America’s ongoing violence, it’s this: that whatever this country promises us, good or bad, we can make a promise too. A promise to each other, for one battle after another.
De uma resenha de UMA BATALHA APÓS A OUTRA. [vulture]
“Se [o mundo atual] fosse uma história do Alan Moore que ganhou vida, os diálogos seriam muito melhores e teria uma escalada rumo a algo de genuíno, não rumo à incoerência absoluta”
Alan Moore, respondendo à pergunta “Você acha que o mundo virou uma história do Alan Moore que ganhou vida?”
Muitos não entenderam que é sarcasmo. Tem que ler o resto da resposta.
“Não, você pode me culpar por um monte de coisas do mundo moderno. Eu levanto a mão e confesso: sim, tenho esse hábito irritante de estar certo quando projeto distopias.”
Gigi Cavenago (desenho e cores) em “Oroboros: a palindromic Batman story”, roteiro de Roberto Recchioni. Parte de ZATANNIC PANIC!, da DC. [kindle]
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Gostou mesmo? Então, o que acha de investir na virapágina para ela continuar saindo toda semana?
Custa só R$ 16 por mês ou R$ 160 por ano. Dá R$ 3 e uns centavos por edição. Por edição!
Com a parceria todavia + virapágina, você pode ganhar um quadrinho da Todavia todomês. Teve sorteio na semana restrasada! Vai ter sorteio na próxima! Mais detalhes nessa edição extra.
Você também pode dar uma assinatura virapágina de presente para quem você acha que vai gostar:
Meu nome é Érico Assis. Sou jornalista e tradutor. Escrevo profissionalmente sobre quadrinhos desde 2000, traduzo profissionalmente desde 2009. Sou um dos criadores do podcast Notas dos Tradutores, colaboro com o canal de YouTube 2Quadrinhos e com o programa Brasil em Quadrinhos do Ministério das Relações Exteriores. Dou cursos de tradução na LabPub. E escrevo esta newsletter.
Publiquei dois livros: BALÕES DE PENSAMENTO 1 e 2, disponíveis em formato digital e físico na Amazon.
Tem mais informações no meu website ericoassis.com.br.
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E que você vire ótimas páginas até a semana que vem.




































Também recebi esta semana meu exemplar de Tomorrow Stories, e primeira coisa que eu pensei foi "Quando será que sai o Virapágina, hein?", não deu tempo nem te cobrar... e legal este esquema de virar uma sessão da "nius". Agora a antologia do barbudo vai ter que pular pra frente da fila!
Eu ia comprar a Fúria do Clipes para dar de dia das crianças, mas fui vetado ("você já comprar livros para ela sem motivo, ela vai ficar desapontada se ganhar isso de dia das crianças'). Quem sabe não levou o sorteio desta vez?